A presidente do CREF2/RS, Carmen Masson (CREF 001910-G/RS) esteve presente na noite desta quarta-feira (3), na audiência pública conjunta na Assembleia Legislativa para debater a obesidade na infância e na adolescência e os reflexos na saúde pública. A proposição foi do deputado Maurício Dziedricki (PTB), que coordenou o encontro. Ao final do debate, foi criado um grupo permanente de trabalho para dar prosseguimento à discussão do tema, propondo ações concretas, como a criação ou modificação de leis.
O parlamentar explicou que a questão surgiu em 2016, quando disputou a eleição municipal, e se deparou com a questão da reincidência de pessoas no sistema de saúde pública por falta de cuidados relacionados à alimentação saudável e inatividade física. Por isso, apresentou, este ano, o PL 40 2017, que cria o cadastro de obesidade infantojuvenil nas escolas de ensino fundamental e médio do Rio Grande do Sul.
A presidente Carmen Masson lembrou que de todas as áreas da saúde apenas o profissional da Educação Física trabalha realmente com a saúde, pois as demais tratam da doença. Ressaltou que apenas 33% da população brasileira realiza atividades físicas regulares e criticou iniciativas que discutem retirar a disciplina de Educação Física dos currículos escolares. Lembrou também que a atividade física traz benefícios à saúde se bem orientada, defendendo como fundamental a orientação do profissional da área. Ainda destacou que é preciso adequar as atividades físicas à idade da criança.
O professor Roberto Costa, da Faculdade de Desenvolvimento do RS (Fadergs), apresentou dados de estudos acadêmicos e públicos sobre a obesidade na infância e na adolescência. Entre eles, os do Sistema de vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde. Segundo as informações apresentadas, de 2016, o RS tem 54,9% de prevalência de obesidade. Conforme o Programa Nacional de Saúde do Escolar, de 2015, o sobrepeso e a obesidade estão presentes em 31,5% dos adolescentes de 13 a 17 anos no país e, na Região Sul, essa prevalência chega a 38,4%.
O presidente da Fundação de Saúde de Canoas, Fernando Ritter, defendeu leis que obriguem e estimulem os gestores municipais a executarem ações para prevenir a questão. O grande problema de quem está na gestão é o tempo que ações de prevenção levam para trazer resultados. Eles só vão ser sentidos em gerações futuras, mas é preciso começar agora, salientou.
A reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Lucia Pellanda, defendeu que se invista na prevenção primordial, aquela feita antes da população desenvolver os fatores de risco. É muito mais efetivo fazer uma campanha para as crianças não começarem a fumar do que tentar fazer os adultos deixarem de fumar, exemplificou.
A presidente do Conselho Regional de Nutrição, Jacira Conceição dos Santos, lembrou que há uma legislação, de 2009, que obriga escolas públicas a terem um profissional da nutrição, mas o governo do Estado, até agora, não incluiu o cargo de nutricionista nas escolas. Segundo Jacira, além de cuidar da alimentação, o profissional é responsável pela educação alimentar. Lembrou que não apenas na família ocorra a alimentação inadequada, citando cantinas de escola e festas de recreação onde alimentos industrializados e bebidas açucaradas são oferecidas.
Foto: Pablo Santos
