No dia 2 de outubro, a Comissão de Ensino Superior e Preparação Profissional do CREF2/RS promoveu a palestra online “A BNCC e as novas diretrizes curriculares para a Educação Física”, proferida pelo vice-reitor de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão da UNIJUÍ, Dr. Fernando González. Cerca de 100 professores e coordenadores de cursos participaram do evento, realizando um debate profícuo sobre a Base Nacional Comum Curricular, a fim de garantir o conjunto de aprendizagens essenciais aos estudantes brasileiros.
Gonzáles explicou que organizara sua apresentação em perguntas, com a contribuição de docentes, como meio de conduzir as discussões sobre a BNCC. A primeira delas, disse Fernando, é a Localização da BNCC no campo da teoria, que se localiza no campo dos debates sobre currículos. Em relação à segunda pergunta, BNCC no posicionamento em relação às discriminações, o professor crê que ficou aquém às duas primeiras. Fernando relata que a tensão política era enorme do momento, e o documento realizado perdeu força neste sentido.
A terceira pergunta versa se Ainda entre o Não Mais e o Ainda Não: pensando saídas do não lugar da Educação Física Escolar 1 e 2. Na oportunidade, relata Fernando, foi defendida a tese de que a Educação Física estava situada pedagogicamente em uma espécie de limbo, na medida em que os professores e a comunidade acadêmica “não mais” a identificavam como uma prática restrita treinamento e ao rendimento esportivo. Embora, por outro lado, “ainda não” a viam consolidada enquanto um componente curricular da área das linguagens e com enfoque teórico na cultura corporal.
O quarto questionamento indaga se a A BNCC pode mudar as práticas escolares?. Fernando verificou que, passados 23 anos de sua vigência, estes não conseguiram levar para dentro das escolas as lutas e as danças. Gonzáles ressalta que houve algo muito interessante em relação às danças e às lutas. Porque quando se fez a consulta nacional em relação aos objetivos da Educação Física, as que tiveram menor porcentagem foram as lutas e os esportes na natureza, ficando a dança em terceiro lugar. Se a BNCC for objeto estudo, se abre a pertinência, ou não, da possibilidade do ensino das lutas e as danças, avalia.
Mas a BNCC, prossegue Fernando, traz uma grande novidade em descontextualizar a cultura esportiva, que é muito dissonante das organizações esportivas mundiais das Federações Esportivas. Por fim, Fernando questionou se os professores de IES, principalmente de Licenciatura, terão obrigatoriamente de se debruçar na BNCC para o desenvolvimento das competências superestimadas na mesma. “Competências estas que eles mesmos não dominam na sua integridade. Aliás, quem tem atualmente as competências previstas na BNCC na Educação Física?”.
