Cerca de 60 profissionais de Educação Física e estudantes assistiram ontem, dia 7, as palestras apresentadas no evento O Mercado do Personal Trainer Corporativo, promovido pela Câmara de Ginástica Laboral e Atividade na Empresa do CREF2/RS. Além de comemorar o Dia da Ginástica Laboral (22/11), o evento teve como objetivo divulgar um novo perfil de profissional para o mercado corporativo, que atua como promotor de saúde e prevencionista no mundo do trabalho, esclarecendo ao personal trainer sua importância no mundo corporativo.
Fizeram parte da mesa o vereador de Porto Alegre, Mauro Pinheiro, o conselheiro Federal do CONFEF, Carlos Alberto Cimino (CREF 001691-G/RS), o desembargador do TRT da 4ª Região, Janney Camargo Bina, a presidente do CREF2/RS, Carmen Masson (CREF 01910-G/RS), o presidente do Sindicato dos Profissionais de Educação Física do RS (Sinpef/RS), Ubirajara Brites (CREF 000416-G/RS), a presidente da Associação dos Profissionais de Educação Física do RS (APEF/RS), Luciane Citadin (CREF 000100-G/RS), o presidente da Câmara Técnica de Ginástica Laboral e Atividade Física na Empresa e vice-presidente do CREF, Lauro Aguiar (CREF 002782-G/RS) e a analista Técnica do SESI/RS, Galvani Gonçalves.
O vice-presidente do CREF2/RS, Lauro Aguiar, qualificou o evento como histórico. Este novo conceito está sendo gestado desde 2005, e o que possibilitou sua formatação foi, principalmente, o CREF2/RS por meio da presidente Carmen, que acreditou em algo tão singular e que preenche uma lacuna no mercado: profissionais que atendam as empresas com conhecimento de legislação, leis e das 36 normas regulamentadoras.
Segundo Lauro, ao longo do tempo o CREF2/RS vem firmando parcerias com Ministérios Públicos, Polícia Civil e Procon. No ano passado nos tornamos parceiros do TRT4, pois os magistrados estão muito preocupados quando se apresentam conflitos patrão versus empregados, e eles percebem que não houve intervenção alguma em prol da saúde do trabalhador. Portanto, temos uma responsabilidade enorme. Se depender de nós, o profissional de Educação Física estará cada vez mais presente na vida dos trabalhadores, evitando as doenças ocupacionais e, é claro, trabalhando multidisciplinarmente com outros profissionais da saúde.
A presidente do CREF2/RS, Carmen Masson, reforçou na sua fala a necessidade da ajuda dos profissionais de Educação Física na fiscalização. “Temos 497 municípios do Estado, e mesmo que o CREF2/RS tivesse o mesmo número de fiscais, não seriam suficientes para a atual realidade”. Carmen explicou que repetidamente agentes de fiscalização do DEFOR vão até algum município do interior, fazendo visita a primeira academia do roteiro. Após esta ação, o profissional fiscalizado passa mensagem de texto ou telefona para as demais academias que estão irregulares, e estas fecham as portas. “Eu preciso que vocês denunciem os irregulares. Esta denúncia é sigilosa, jamais alguém saberá quem denunciou, e só assim conseguiremos retirar as pessoas que estão ocupando ilegalmente nosso espaço profissional “.
A primeira palestra teve como tema Gestão de Venda e Relacionamento no Mundo Corporativo e foi ministrada por Felipe Machado (CREF 008513-G/RS). O palestrante explicou que com a concorrência, o cliente passou a ter um leque de possibilidades, todos lhe oferecendo serviços únicos, que no final do dia se mostram iguais devido ao fenômeno da acomodação das tecnologias, das pessoas e dos processos. Ou seja, o cliente por vezes não consegue mais distinguir o caráter único dos serviços que lhe oferecemos. Moral da história: comunicar nossa oferta para o cliente já não é mais suficiente, avalia.
Felipe ressaltou a necessidade de entender o cliente, suas dores e desejos, a competência da empresa, seus produtos e serviços e a entrega de valores, que resultam em satisfação e encantamento. Ele também explicou que para se adaptar ao novo paradigma da área de Vendas e Relacionamento, é necessário que o profissional de Educação Física aprenda a criar valor para os clientes (Acolher), precisa aprender a surpreender os clientes, fazer a diferença na vida dos clientes (Encantar) além de cuidar dos clientes como se fossem únicos (Personalizar).
A segunda palestra teve como tema A reinvenção do personal trainer para atender as demandas das empresas atuais, sendo ministrada por Carla Lubisco (CREF 001733-G/RS). Segundo Carla, o estudo Workplace Wellness 2016, realizado pelo Instituto Global de Wellness (GWI), mostra que as empresas e governos estarão cada vez mais motivados em reverter a tendência de falta de qualidade de vida na força de trabalho. O bem-estar no trabalho é um movimento que irá ganhar força nos próximos cinco anos. Hoje, poucas pessoas têm acesso a programas de bem-estar em seu emprego, explica, lembrando que a média global é de 9%, e no Brasil, 5%. Já nos EUA, esse percentual é de 52%.
Carla afirma que os programas de qualidade de vida como
conhecemos hoje, irão desaparecer. “As ações realizadas não podem ser coercitivas e frias, devem ser por adesão e ser acolhedoras, integradoras”, salienta. “É preciso criar uma nova cultura, em que o autogerenciamento da qualidade de vida
também ganhe força”. Para a personal trainer, os indivíduos serão mais responsáveis pela sua própria qualidade de vida.
Ela também enfatiza a necessidade de se olhar o ser humano com uma visão de 360 graus. “Ao fazer um exercício para o braço, lembrar que ele faz parte de conjunto muscular que,
por sua vez, faz parte de uma pessoa que tem um sistema emocional, mental e espiritual. Ter um viés humano, olhar
empaticamente o aluno. A parte técnica, mais do que nunca, é só uma das etapas”.
Qual profissional de educação física não tem dificuldade com venda? Com esta indagação, realizada por Alessandro Gonçalves (CREF 005863-G/RS), iniciou-se a terceira palestra do evento, que abrangeu a Inserção e a Interação do Personal Trainer nas Empresas. Segundo Alessandro, o profissional não é preparado para realizar vendas durante sua formação. Mas existem dificuldades posteriores, pois a relação é sempre direta com o consumidor. “Quando entramos com um projeto em uma empresa, diversos níveis estratégicos, hierárquicos, táticos e operacionais coexistem, são diferentes níveis de decisão, aliados a múltiplos níveis de interesse”. Muitas vezes, complementa Gonçalves, o nível gerencial que se vai atender entende que a empresa teria outras prioridades, mas a direção, que viu potencial naquele programa de atividades físicas corporativa, compreende que é necessário. Isto te larga numa fogueira, porque tu vais ter que comprovar que teu trabalho tem valor para, hipoteticamente, 400 funcionários”.
Segundo Alessandro, firmamos um contrato de três pontas: a empresa que contratou, a equipe de profissionais de Educação Física e o trabalhador. “Eu preciso fazer com que estes interesses se conectem, satisfazendo o trabalhador e a empresa como organização. E cada uma das pontas têm suas especificidades, todos, obviamente, conectados”. Alessandro alerta que um grande erro estratégico é se apegar apenas no feedback do trabalhador. “Isso é bom inicialmente, mas quando houver mudanças estratégicas, é necessário estar ao lado de quem te contratou, pois a parte do trabalhador é a mais fraca para a sustentabilidade do teu projeto”. Por fim, Alessandro salientou que o Personal Trainer Corporativo vai abrir muitas portas para os profissionais de Educação Física, usando, inclusive, a Ginástica laboral como ferramenta.
